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INICIA hoje, na cidade de Chimoio, província de Manica, a XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, a que se seguirá, no mesmo local, a IV Sessão Extraordinária do Comité Central desta força política.
Aparentemente, trata-se de meros encontros político-partidários. Mas, numa análise mais aprofundada, depreende-se que o país e o mundo estão atentos aos mesmos, uma vez que envolvem a organização que suporta o Governo, cujos actos têm efeitos na vida pública e privada dos cidadãos, bem como no funcionamento do Estado e demais instituições.
Conforme está a ser ventilado em vários quadrantes da opinião pública, esta conferência constitui pretexto para debater Moçambique, com reflexões orientadas a mudanças, até porque, para além dos partidários, está prevista a participação no evento também de quadros de fora da Frelimo que, certamente, darão a sua visão no desenvolvimento do país.
Com efeito, a reunião de quadros, que acontece mais de dez anos depois, decorre num contexto particularmente desafiante para o país, devido a fenómenos que comprometem o normal funcionamento da Administração Pública, particularmente nos sectores da Educação, onde o livro escolar de distribuição gratuita continua a chegar de forma deficiente, e com muitos discentes a estudar debaixo de árvores. Na Saúde, as dificuldades do abastecimento de medicamentos e outros suplementos essenciais continuam preocupantes.
A corrupção sistémica no aparelho do Estado e no sector privado corrói o tecido socioeconómico, mina a confiança do cidadão e põe em causa os fundamentos de melhor servir. Aliás, o mais recente escândalo despoletado no Instituto Nacional de Segurança Social, onde sumiram mais de 500 milhões de meticais, é apenas uma prova do quão estamos mal em matéria de gestão pública.
Uma vez que o encontro se realiza numa etapa crucial do diálogo nacional inclusivo, é de esperar que a reunião não passe ao lado do debate, até porque há reformas estruturantes por decidir.
Ainda no plano interno, o terrorismo em Cabo Delgado, o tráfico de drogas, acidentes de viação e mudanças climáticas continuam a ter impactos social e económico significativos. Em relação às alterações climáticas, vale lembrar que, no primeiro trimestre, a zona Sul foi assolada por cheias e inundações severas, sobretudo em Gaza.
O efeito combinado destes factores aumenta o índice do desemprego, levando jovens a apostar no sector informal.
Não obstante os esforços do Governo, depreende-se que a economia não cresce ao ritmo desejado, em parte devido a factores externos, como a guerra no Médio Oriente, que pressiona a cadeia de distribuição de combustíveis e encarece a vida.
Neste contexto, a expectativa é que a reunião debata soluções sustentáveis dos problemas do país, incluindo o reforço do Estado de Direito Democrático.
Convocar a entrega dos participantes na discussão dos constrangimentos que emperram o progresso deve ser, acima de tudo, um apelo ao seu compromisso com Moçambique. Assim, os mesmos são chamados a honrar o convite e a oportunidade de melhorar o país, porque os moçambicanos estão expectantes em resultados satisfatórios que gerem mudanças positivas na sua vida.
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